Autoconhecimento · 25 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
Você descansa ou apenas troca uma forma de ocupação por outra?
Você realmente descansa ou apenas troca uma ocupação por outra? Nesta reflexão, vamos olhar para a dificuldade de desacelerar, os estímulos constantes e o que podemos perceber sobre nós quando o barulho diminui.
Neste texto
- Nem todo momento em que você para de trabalhar significa que sua mente realmente encontrou espaço para desacelerar.
- O silêncio que a gente preenche sem perceber
- “Mas eu estou descansando. Estou vendo uma série.”
- Faça este teste neste fim de semana
- Talvez o desconforto não esteja no silêncio
- Talvez descansar não seja apenas parar de fazer.Talvez também seja conseguir permanecer alguns momentos sem precisar preencher cada espaço.
- E se desacelerar for difícil para você?
- Um convite para este fim de semana
Nem todo momento em que você para de trabalhar significa que sua mente realmente encontrou espaço para desacelerar.
Você finalmente termina o que precisava fazer.
Fecha o computador.
Toma banho.
Deita no sofá.
E pensa:
“Agora eu vou descansar.”
Pega o celular.
Abre o Instagram.
Depois o WhatsApp.
Um vídeo leva a outro.
Você responde algumas mensagens.
Lembra de uma coisa que precisava pesquisar.
Abre outra aba.
Olha uma notícia.
Volta para o Instagram.
Quando percebe, passou quase uma hora.
Seu corpo estava parado.
Mas será que você estava descansando?
Talvez a gente tenha confundido descanso com ausência de trabalho.
E não são necessariamente a mesma coisa.
O silêncio que a gente preenche sem perceber
Faça um pequeno experimento.
Na próxima vez em que estiver esperando alguma coisa — o elevador, o café ficar pronto, uma consulta começar ou alguém chegar — perceba quanto tempo leva até sua mão procurar o celular.
Às vezes são segundos.
Não necessariamente porque existe alguma coisa importante para ver.
Talvez simplesmente porque surgiu um espaço vazio.
E nós nos acostumamos a preencher esses espaços.
Música enquanto tomamos banho.
Vídeo enquanto comemos.
Celular enquanto esperamos.
Série enquanto mexemos no celular.
Notificações durante a série.
Informação praticamente o tempo inteiro.
Isso não significa que usar o celular, assistir a uma série ou ouvir música seja ruim.
A questão é outra:
quando foi a última vez que você ficou alguns minutos sem precisar consumir nada?
“Mas eu estou descansando. Estou vendo uma série.”
Talvez esteja.
Descanso não precisa significar silêncio absoluto, meditação ou ficar olhando para o teto.
Uma série pode ser prazerosa.
Conversar com alguém pode ser prazeroso.
Jogar, cozinhar, ouvir música ou passear também.
O ponto não é criar uma lista de atividades que “contam” ou não como descanso.
É perceber como você termina aquela experiência.
Mais leve?
Presente?
Com a sensação de ter feito algo prazeroso?
Ou mais agitado, disperso e procurando o próximo estímulo?
Existe uma diferença entre escolher algo porque aquilo nos proporciona prazer e recorrer automaticamente a estímulos porque qualquer espaço vazio parece difícil de sustentar.
Faça este teste neste fim de semana
Não quero propor um “detox digital”.
Nem que você passe o sábado inteiro longe do celular.
Quero propor algo muito menor.
Dez minutos.
Escolha algum momento deste fim de semana e fique dez minutos sem preencher o espaço.
Sem celular.
Sem televisão.
Sem podcast.
Sem precisar aproveitar o tempo para organizar alguma coisa.
Você pode tomar um café.
Sentar na varanda.
Caminhar.
Olhar pela janela.
Ou simplesmente ficar ali.
E observe.
Não tente relaxar.
Não tente fazer o exercício “certo”.
Apenas perceba o que aparece.
Tédio?
Vontade de pegar o celular?
Pensamentos?
Ansiedade?
Ideias?
Uma sensação boa?
Incômodo?
Vontade de levantar e fazer alguma coisa?
Talvez esses dez minutos revelem mais sobre a sua relação com o descanso do que você imagina.
Talvez o desconforto não esteja no silêncio
Quando diminuímos os estímulos, começamos a perceber coisas que estavam sendo abafadas por eles.
Pensamentos aparecem.
Emoções ganham espaço.
O corpo começa a ser percebido.
Algumas perguntas surgem.
E isso nem sempre é confortável.
Por isso, talvez em alguns momentos não estejamos apenas procurando entretenimento.
Podemos também estar evitando, sem perceber, aquilo que aparece quando não existe nada nos distraindo.
Isso não significa que toda vez que alguém pega o celular esteja “fugindo de alguma coisa”.
Seria uma conclusão simplista.
Mas pode valer a pergunta:
“O que acontece comigo quando não tenho nada para fazer por alguns minutos?”
Talvez descansar não seja apenas parar de fazer.
Talvez também seja conseguir permanecer alguns momentos sem precisar preencher cada espaço.
E se desacelerar for difícil para você?
Para algumas pessoas, diminuir o ritmo pode trazer pensamentos, sentimentos e desconfortos que normalmente ficam em segundo plano durante a rotina.
E nem sempre é fácil compreender sozinho o que aparece nesses momentos.
A psicoterapia pode ser um espaço para olhar com mais atenção para a maneira como você tem vivido, para aquilo que sente e para os padrões que fazem parte da sua rotina — sem a necessidade de encontrar respostas imediatamente.
Não para aprender a “descansar corretamente”.
Mas para compreender melhor a sua relação consigo e com aquilo que acontece dentro de você quando o barulho diminui.
Um convite para este fim de semana
Antes de preencher automaticamente o próximo momento vazio, experimente permanecer nele por alguns minutos.
Depois, faça apenas uma pergunta:
“O que eu percebi quando parei de me distrair?”
Você não precisa chegar a nenhuma conclusão.
Só perceba.
Isso fez sentido pra você?
Talvez seja um bom momento para conversarmos.
Uma conversa de 20 minutos, sem compromisso, pra entender se faz sentido começar a terapia.
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Escrito por Júlia Kulexar
Psicóloga clínica · CRP 06/228607
Atende adolescentes e adultos, com a Terapia Cognitivo-Comportamental como abordagem.
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